Filho, não tenho palavras para
expressar o que sinto. Uma saudade imensa, uma dor calma e refinada pelos anos
de conviver com você. Uma gratidão infinita por ter tido você ao meu lado. Uma
tristeza aguda por saber que você não está mais aqui. Eu sei, filho, que você apenas não está aqui, mas continua sua jornada
de aperfeiçoamento daquilo que já é perfeito. Porém sinto sua falta. Sua ausência dói como a dor daqueles que tem água e não podem beber, que tem comida e não podem comer. É como
viver sem aquela parte de mim que estava acostumada a buscar o improvável. Aquela parte irreverente e diferente que
percebia coisas que outros não veem. Aquela parte mística ainda que jovem e inocente ainda que
sábia. Todavia continuo a aprender com você e com o legado que nos deixou. Com a tolerância e aceitação do que é diferente. Esse respeito imenso que você tinha pelo outro, pela natureza, pelos animais, pelos que sofrem. Tudo isso, filho, são coisas que levamos inúmeras vidas para aprender e você já as tinha prontas desde que veio para esta vida. Elas fazem parte daquilo que você é. E isto, filho, é a maior qualidade que um ser humano pode ter, é uma qualidade divina, uma qualidade crística. Obrigado por me mostrar esse lado da vida. Um lado sem preconceitos, de pura aceitação. Isso, filho, se chama amor.
Te amo, André. Te amo.

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