quarta-feira, 27 de novembro de 2013

PAI NOSSO SERTANEJO


           Pai Nosso Sertanejo
                                                Nabor Nunes

Nosso Pai que estás no céu
Seja santo o nome teu
O teu reino venha e faça 
Teu quer e não o meu.
Nosso Pai nós te imploramos 
Que nos dê o nosso pão
Dá fartura pra cidade
Manda chuva pro sertão.

Nosso Pai que estás no céu
Nos ajude a perdoar,
Pois assim é que se pode
Nossa vida melhorar.
Pois devemos perdoar
Ao criado e ao patrão.
Nos ajude a quem tem fome
Estender a nossa mão.


Ouvir: http://www.youtube.com/watch?v=ROBQ2jFJDoE 



terça-feira, 19 de novembro de 2013

POR QUE MORREM OS NOSSOS JOVENS?

                                           POR QUE MORREM OS NOSSOS JOVENS?

                



                                                                                        Por: Edna de Paula Soares

            As estatísticas são assustadoras. É sabido que somente no Brasil morrem mais jovens em decorrência da violência que o número de jovens em uma guerra, como na guerra do Iraque, por exemplo. O que ocorre com estes jovens? O que os leva à loucura? Por que morrem os nossos jovens? Eles deveriam aproveitar a chance única da vida. Deveriam crescer e envelhecer com normalidade.
            Fui informada pelos zeladores de um cemitério local que normalmente não recebem mais pessoas idosas. Que a grande maioria dos “usuários” estão entre os vinte e vinte e cinco anos de idade. Ela acrescentou como se fosse normal: “Porém outro dia enterramos um senhor de quarenta e cinco anos que se suicidou.” Nesta hora nos perguntamos: “O que estamos fazendo de nossos filhos?” daí alguém afirma: “Meus filhos não. Eu cuido de meus filhos, os outros é que não cuidam dos deles.” Mas a questão é bem mais abrangente que o mero fato de cuidar de nossos filhos biológicos, dar instrução a eles e cobrar para que apresentem resultados magníficos. As sociedades modernas, verdadeiramente injustas estão hoje pagando o preço de suas injustiças, de suas desigualdades e de suas discriminações. Hoje estamos pagando o preço de uma vivencia sem valores morais e sem vínculos afetivos. Esses valores foram deteriorados em função de valores passageiros e materiais. Estamos criando uma geração desiludida da vida e daquilo que deve ser duradouro. Nossos jovens tem pressa como se não houvesse futuro. É que eles não veem futuro no caos social em  que vivemos. Eles não têm capacidade de projetar, de sonhar, de aspirar a alguma coisa. São imediatistas e não admitem a frustração. Quem os ensinou a ser assim?  Lamento informar que você pai, você mãe, você governo, você media, você sistema de comunicação, você família, você escola os ensinou o caminho do suicídio e da tirania. Enquanto lutamos por sermos “iguais” expomos nossos jovens a uma batalha desigual por direitos, por posse e por poder. Não lhes damos tempo para amadurecer. Queremos que venham prontos. Vencedores. Um cidadão ilustre de nascença.  Um gênio de preferência. Não percebemos que o aprendizado ocorre quando confrontamos nossos erros. Não temos paciência para vida. Queremos tudo para ontem. E nesse ontem não há sonho, porque o ontem não existe mais e, o futuro depende do que vivemos hoje. Se hoje não cuidamos de nossos filhos, o que esperamos para eles amanhã?
            É interessante observar nossa moderna sociedade imediatista. Hoje, plantamos jardins já maduros e preferivelmente que exija poucos cuidados.  Não cuidamos mais da “muda” no desejo que ela “vingue” imaginando como será quando estiver florida, sonhando o dia em que sentaremos à sua sombra somente por prazer e relembraremos todo o cuidado e carinho que lhe dedicamos. “O tempo que gastei com minha rosa foi que a tornou tão importante para mim.” Disse Saint-Exupéry. E ele tinha razão. O tempo que gastamos cultivando algo ou alguém é o que faz a diferença porque passamos a conhecer o objeto de nosso carinho. Se não gastamos tempo cultivando nossos filhos, o que teremos para lembrar quando nos sentarmos com eles quando adultos, se chegarem à idade adulta, e olharmos seus olhos desiludidos?
            Nossos jovens estão morrendo de desilusão. De pressa. De cansaço de uma vida que não viveram. Nós pais, nós sociedade, nós humanos modernos estamos sufocando o “broto” antes que dê flor.
            Hoje, amigos, temos a responsabilidade de buscarmos a simplicidade. De aprender com nossos erros, de admitir nossos limites, de amar o que temos, de cultivar nossos filhos com carinho. Hoje temos a obrigação de compreender que “tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo do céu.” Conforme o sábio comenta na Bíblia. Por que temos que nos apressar tanto? Por que temos que  exigir tanta perfeição quando tudo o que existe já é perfeito? Por que temos que ter tanto quando nada do que temos nos pertence realmente e nada levaremos desta vida? Por que temos que ser iguais quando a beleza das coisas está na diversidade e do que fazemos com ela? Nossos filhos não são nossos filhos, mas são o que fizemos deles. Assim devemos pensar se estamos deixando que sejam aquilo que nasceram para ser ou se estão sendo um modelo programado para ser o que nosso desejo torcido e vulgar deseja que sejam.

            Que possamos permitir que nossos jovem vivam o suficiente para saber quem são. Que possam saber o que serão quando crescerem. Que tenham a chance de envelhecer e que saibam que envelhecer é normal.  E, que eu e você possamos lhes dar esta oportunidade.

domingo, 3 de novembro de 2013

Perdas e ganhos

                                   PERDAS E GANHOS


         Nenhuma experiência é vazia, nenhuma jornada é inútil, nenhum sonho é irreal, nenhuma vida é perdida. Tudo se transforma à luz do amor. Tudo se encaminha para o infinito.
            Quando meus filhos nasceram eu gastei horas intermináveis a admirar aquelas criaturas que, ainda que nascidas de mim, um ser imperfeito, eram perfeitas. Eram lindas e puras e tinham uma aura angelical própria das crianças. Traziam também uma sabedoria infinita como se já houvessem vivido milhares de vidas antes desta. Neles eu via Deus, pois eles pareciam um milagre. Como algo tão belo, tão verdadeiro, tão divino pode também ser tão real? E, o que teria eu feito para merecer tamanha bênção? Aqueles seres  perfeitos eram, sem dúvida, o maior presente que alguém pudesse ganhar em uma vida. Eles representavam todos os meus sonhos. E assim, este ganho maravilhoso me ajudou a seguir minha jornada, resumiu minha enorme lista de desejos e fixou meus objetivos na minha missão.
Eu queria tudo da vida. Tudo, absolutamente tudo, mas meu tudo se resumia em poucas e simples coisas: queria apenas meus filhos junto a mim, poder criá-los com dignidade e segurança para a velhice. Estas simples coisas completariam o círculo de minha existência e  me deixaria perfeitamente feliz.  O que poderia pedir a mais? O que faltaria a alguém que tivesse estas três simples coisas na vida? Não penso que eu seja diferente de outras mães. Creio que quase todas compartilhamos o mesmo desejo. Um desejo simples e honesto, aquele que é basicamente a procissão da vida desfilando em demonstração de fé naquilo que se espera.
            Todavia, a vida é feita de ganhos e perdas. Enquanto mãe, abri mão de algumas ilusões e percebi no final que não me fizeram falta. Por outro lado, eu transferia minhas esperanças  e expectativas para o futuro daqueles que agora estavam aprendendo a andar com suas próprias pernas. Ah, a tão sonhada independência! Ela parece linda quando se é jovem, porém quando se é mãe ou pai, a ansiada independência de nossos filhos nos faz estremecer e temos que aprender tudo de novo. Aprender a estar sós, a recomeçar, a ter confiança no que lhes ensinamos, a confiar neles, a depender deles. É um caminho de volta. Não seremos eternamente absolutos, haverá o momento em que nos tornaremos crianças outra vez e então nossos amados filhos serão nossos pais e nossos guias no novo mundo cheio de desafios para nós, mas terra firme para seus pés ágeis e suas asas radiantes. Teremos então perdido o vigor, muito da ilusão, algo dos sonhos e nos contentaremos em assistir maravilhados nossos pequenos anjos realizarem os sonhos que antes nos pertenciam.
            E, se o sonho for interrompido? E, se por alguma razão nos for arrancado dos braços aqueles que amamos?      Quando perdemos um ente querido repassamos a nossa vida. Revemos nossos conceitos, analisamos nosso comportamento, buscamos a fé onde a deixamos. Não há certeza mais definitiva que a certeza de que um dia partiremos, contudo nossa mente ilusória se recusa a aceitar a partida e a sentimos como a maior perda que alguém possa sofrer. Sim, é uma grande perda, porém a partida é também o encerramento de um projeto, de um ciclo, daquilo que, aquele que se foi crê que chegou ao fim. A morte é a entrega de nossas armas, a aceitação final de nossa condição humana, o encerramento da batalha. É preciso ter consciência de que cumprimos aquilo a que viemos para morrer. É preciso desistir. É preciso coragem. Se temos que estar prontos para nascer, temos também que estar prontos para morrer. E, assim do outro lado, fora do útero físico do corpo, nasceremos para uma nova experiência. Logo, a morte não é exatamente uma perda, é uma despedida, é um “até logo, até mais, nos veremos outra vez”. De certa forma há um ganho na morte. Esta perda fatal nos coloca frente a frente com nossos mais arraigados valores e despidos de toda arrogância nos colocamos nus diante de nós mesmos e nos vemos com olhos mais reais. Nos abalamos e nos recolhemos, porém renascemos do luto como a Fênix renasce das cinzas: mais fortes, mais humanos e porque não dizer: mais divinos. Nesta hora abrimos nosso coração, rasgamos nosso compromisso com o rótulo que escolhemos e buscamos a mais pura verdade de nós mesmos.
            Um de meus anjos se foi, mas ele deixou lições preciosas para serem seguidas. Ele ainda me ensina a cada dia e por ele valeu a pena todo o caminho. Agora, vivendo entre o céu e a terra, sei que tenho que me lembrar dos que ainda estão aqui, que seguraram minha mão e que se tornaram a razão para continuar. Essas pessoas maravilhosas que ainda lutam porque não podem morrer, porque não terminaram sua missão são seres preciosos, corajosos que precisam de nossa presença e de nosso amor.
            Queridos, que possamos entregar de coração ao Pai amoroso aqueles que partiram, mas que estejamos atentos para cuidar daqueles queridos que todos os dias nos dão amor e esperança. Eles são ganhos para o momento presente e companheiros para a eternidade.
 
            “Que tua vida amigo, seja sempre para o melhor.
            Que o sol aqueça teu viver
            Que a chuva caia suave no teu lar
            E até nos encontrarmos outra vez
            Que Deus te segure nas suas mãos

            Que o Senhor te proteja e guarde

            Que o Senhor sobre ti levante o rosto e te dê paz”.