terça-feira, 19 de novembro de 2013

POR QUE MORREM OS NOSSOS JOVENS?

                                           POR QUE MORREM OS NOSSOS JOVENS?

                



                                                                                        Por: Edna de Paula Soares

            As estatísticas são assustadoras. É sabido que somente no Brasil morrem mais jovens em decorrência da violência que o número de jovens em uma guerra, como na guerra do Iraque, por exemplo. O que ocorre com estes jovens? O que os leva à loucura? Por que morrem os nossos jovens? Eles deveriam aproveitar a chance única da vida. Deveriam crescer e envelhecer com normalidade.
            Fui informada pelos zeladores de um cemitério local que normalmente não recebem mais pessoas idosas. Que a grande maioria dos “usuários” estão entre os vinte e vinte e cinco anos de idade. Ela acrescentou como se fosse normal: “Porém outro dia enterramos um senhor de quarenta e cinco anos que se suicidou.” Nesta hora nos perguntamos: “O que estamos fazendo de nossos filhos?” daí alguém afirma: “Meus filhos não. Eu cuido de meus filhos, os outros é que não cuidam dos deles.” Mas a questão é bem mais abrangente que o mero fato de cuidar de nossos filhos biológicos, dar instrução a eles e cobrar para que apresentem resultados magníficos. As sociedades modernas, verdadeiramente injustas estão hoje pagando o preço de suas injustiças, de suas desigualdades e de suas discriminações. Hoje estamos pagando o preço de uma vivencia sem valores morais e sem vínculos afetivos. Esses valores foram deteriorados em função de valores passageiros e materiais. Estamos criando uma geração desiludida da vida e daquilo que deve ser duradouro. Nossos jovens tem pressa como se não houvesse futuro. É que eles não veem futuro no caos social em  que vivemos. Eles não têm capacidade de projetar, de sonhar, de aspirar a alguma coisa. São imediatistas e não admitem a frustração. Quem os ensinou a ser assim?  Lamento informar que você pai, você mãe, você governo, você media, você sistema de comunicação, você família, você escola os ensinou o caminho do suicídio e da tirania. Enquanto lutamos por sermos “iguais” expomos nossos jovens a uma batalha desigual por direitos, por posse e por poder. Não lhes damos tempo para amadurecer. Queremos que venham prontos. Vencedores. Um cidadão ilustre de nascença.  Um gênio de preferência. Não percebemos que o aprendizado ocorre quando confrontamos nossos erros. Não temos paciência para vida. Queremos tudo para ontem. E nesse ontem não há sonho, porque o ontem não existe mais e, o futuro depende do que vivemos hoje. Se hoje não cuidamos de nossos filhos, o que esperamos para eles amanhã?
            É interessante observar nossa moderna sociedade imediatista. Hoje, plantamos jardins já maduros e preferivelmente que exija poucos cuidados.  Não cuidamos mais da “muda” no desejo que ela “vingue” imaginando como será quando estiver florida, sonhando o dia em que sentaremos à sua sombra somente por prazer e relembraremos todo o cuidado e carinho que lhe dedicamos. “O tempo que gastei com minha rosa foi que a tornou tão importante para mim.” Disse Saint-Exupéry. E ele tinha razão. O tempo que gastamos cultivando algo ou alguém é o que faz a diferença porque passamos a conhecer o objeto de nosso carinho. Se não gastamos tempo cultivando nossos filhos, o que teremos para lembrar quando nos sentarmos com eles quando adultos, se chegarem à idade adulta, e olharmos seus olhos desiludidos?
            Nossos jovens estão morrendo de desilusão. De pressa. De cansaço de uma vida que não viveram. Nós pais, nós sociedade, nós humanos modernos estamos sufocando o “broto” antes que dê flor.
            Hoje, amigos, temos a responsabilidade de buscarmos a simplicidade. De aprender com nossos erros, de admitir nossos limites, de amar o que temos, de cultivar nossos filhos com carinho. Hoje temos a obrigação de compreender que “tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo do céu.” Conforme o sábio comenta na Bíblia. Por que temos que nos apressar tanto? Por que temos que  exigir tanta perfeição quando tudo o que existe já é perfeito? Por que temos que ter tanto quando nada do que temos nos pertence realmente e nada levaremos desta vida? Por que temos que ser iguais quando a beleza das coisas está na diversidade e do que fazemos com ela? Nossos filhos não são nossos filhos, mas são o que fizemos deles. Assim devemos pensar se estamos deixando que sejam aquilo que nasceram para ser ou se estão sendo um modelo programado para ser o que nosso desejo torcido e vulgar deseja que sejam.

            Que possamos permitir que nossos jovem vivam o suficiente para saber quem são. Que possam saber o que serão quando crescerem. Que tenham a chance de envelhecer e que saibam que envelhecer é normal.  E, que eu e você possamos lhes dar esta oportunidade.

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