POR
QUE MORREM OS NOSSOS JOVENS?
Por: Edna de Paula Soares
As
estatísticas são assustadoras. É sabido que somente no Brasil morrem mais
jovens em decorrência da violência que o número de jovens em uma guerra, como
na guerra do Iraque, por exemplo. O que ocorre com estes jovens? O que
os leva à loucura? Por que morrem os nossos jovens? Eles deveriam
aproveitar a chance única da vida. Deveriam crescer e envelhecer com
normalidade.
Fui
informada pelos zeladores de um cemitério local que normalmente não recebem mais
pessoas idosas. Que a grande maioria dos “usuários” estão entre os vinte e
vinte e cinco anos de idade. Ela acrescentou como se fosse normal: “Porém outro dia enterramos um senhor
de quarenta e cinco anos que se suicidou.” Nesta hora nos perguntamos: “O que
estamos fazendo de nossos filhos?” daí alguém afirma: “Meus filhos não.
Eu cuido de meus filhos, os outros é que não cuidam dos deles.” Mas a questão é
bem mais abrangente que o mero fato de cuidar de nossos filhos biológicos, dar
instrução a eles e cobrar para que apresentem resultados magníficos. As
sociedades modernas, verdadeiramente injustas estão hoje pagando o preço de
suas injustiças, de suas desigualdades e de suas discriminações. Hoje estamos
pagando o preço de uma vivencia sem valores morais e sem vínculos afetivos.
Esses valores foram deteriorados em função de valores passageiros e materiais. Estamos
criando uma geração desiludida da vida e daquilo que deve ser duradouro. Nossos
jovens tem pressa como se não houvesse futuro. É que eles não veem futuro no
caos social em que vivemos. Eles não têm capacidade de projetar, de sonhar, de aspirar a alguma
coisa. São imediatistas e não admitem a frustração. Quem os ensinou a ser assim? Lamento informar que você pai, você mãe, você
governo, você media, você sistema de comunicação, você família, você escola os
ensinou o caminho do suicídio e da tirania. Enquanto lutamos por sermos “iguais”
expomos nossos jovens a uma batalha desigual por direitos, por posse e por
poder. Não lhes damos tempo para amadurecer. Queremos que venham prontos. Vencedores.
Um cidadão ilustre de nascença. Um gênio
de preferência. Não percebemos que o aprendizado ocorre quando confrontamos nossos
erros. Não temos paciência para vida. Queremos tudo para ontem. E nesse ontem
não há sonho, porque o ontem não existe mais e, o futuro depende do que vivemos
hoje. Se hoje não cuidamos de nossos filhos, o que esperamos para eles amanhã?
É
interessante observar nossa moderna sociedade imediatista. Hoje, plantamos jardins já
maduros e preferivelmente que exija poucos cuidados. Não cuidamos mais da “muda” no desejo que ela
“vingue” imaginando como será quando estiver florida, sonhando o dia em que
sentaremos à sua sombra somente por prazer e relembraremos todo o cuidado e
carinho que lhe dedicamos. “O tempo que gastei com minha rosa foi que a tornou
tão importante para mim.” Disse Saint-Exupéry. E ele tinha razão. O tempo que
gastamos cultivando algo ou alguém é o que faz a diferença porque passamos a
conhecer o objeto de nosso carinho. Se não gastamos tempo cultivando nossos
filhos, o que teremos para lembrar quando nos sentarmos com eles quando
adultos, se chegarem à idade adulta, e olharmos seus olhos desiludidos?
Nossos
jovens estão morrendo de desilusão. De pressa. De cansaço de uma vida que não
viveram. Nós pais, nós sociedade, nós humanos modernos estamos sufocando o “broto”
antes que dê flor.
Hoje,
amigos, temos a responsabilidade de buscarmos a simplicidade. De aprender com
nossos erros, de admitir nossos limites, de amar o que temos, de cultivar
nossos filhos com carinho. Hoje temos a obrigação de compreender que “tudo tem
o seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo do céu.” Conforme
o sábio comenta na Bíblia. Por que temos que nos apressar tanto? Por que
temos que exigir tanta perfeição quando
tudo o que existe já é perfeito? Por que temos que ter tanto quando nada do que temos nos pertence realmente e nada levaremos desta vida? Por que
temos que ser iguais quando a beleza das coisas está na diversidade e do que
fazemos com ela? Nossos filhos não são nossos filhos, mas são o que
fizemos deles. Assim devemos pensar se estamos deixando que sejam aquilo que
nasceram para ser ou se estão sendo um modelo programado para ser o que
nosso desejo torcido e vulgar deseja que sejam.
Que
possamos permitir que nossos jovem vivam o suficiente para saber quem são. Que possam saber o que serão quando crescerem. Que
tenham a chance de envelhecer e que saibam que envelhecer é normal. E, que eu e você possamos lhes dar esta oportunidade.

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